Entrevista com Court Jones

Conte um pouco de sua história.
Sou ilustrador freelancer especializado em caricatura e desenhos humorísticos. Graduado pela University of Califórnia, San Diego com bacharelado em Studio Art em 1996. Logo após a universidade me tornei caricaturista profissional em parques e eventos. Mas em 2001, insatisfeito com minha formação, decidi me especializar em arte tradicional no Watts Atelier em Encinitas, Califórnia, onde agora ensino caricatura, ilustração digital e anatomia. Atualmente trabalho sozinho como artista freelancer, desenhando em eventos, ilustrando para publicações e design conceitual para filmes e projetos para televisão.
Além de ensinar no estúdio também participo de workshops por todo pais e internacionalmente. Já ganhei vários prêmios com meus desenhos e caricaturas. Em 2005 fui nomeado The Caricature Artist of the Year na convenção anual National Caricaturist Network, ganhando o troféu “Golden Nosey”.

Como é seu processo de criação?
Eu encaro meus desenhos mais como um trabalho técnico do que uma criação artística. Tento sempre pensar sobre a composição, estrutura, valores, bordas, anatomia, perspectiva e esse tipo de coisa. Eu ainda me considero em fase de aprendizado em minha evolução artística. Acredito ter um longo caminho pela frente até me tornar verdadeiramente habilidoso.
Quando começo a desenhar uma ilustração ou caricatura passo bastante tempo procurando pelas melhores referências para o tema escolhido. Procuro por fotos boas, grandes e com boa iluminação, boa expressão e que mostre algo interessante sobre a personalidade da pessoa. Escolher boas referências é parte essencial para se ter uma boa caricatura. A próxima etapa é fazer vários rascunhos a lápis. Mesmo que fique feliz com o primeiro rascunho eu sempre procuro refinar as formas e anatomia. Eu quero que a anatomia das minhas caricaturas sejam o mais realista possível. Tento seguir o exemplo de outros grandes ilustradores como Norman Rocwell, Dean Cornwell e Gregory Manchess. Eles são famosos pela extensa pesquisa e preparação antes de começarem uma ilustração. Embora não me ache disciplinado em minha técnica como eles, mas fico sempre mais feliz com meu trabalho quando gasto mais tempo na preparação. Não é sempre divertido, tem muita coisa chata e cansativa no processo, mas isso é necessário para um bom resultado.
Quando encontro dificuldade nos meus rascunhos, geralmente tento diferentes técnicas ou materiais para exercitar diferentes áreas do meu cérebro. Por exemplo, se tentei varias vezes usar lápis grafite, passo a usar carvão ou até mesmo Photoshop como ferramenta de rascunho.

Descreva um dia comum na sua vida.
Em um dia com trabalho e deadline, tento começar ao meio dia, trabalhando dia e noite. Faço pequenas paradas durante o dia pois as vezes se torna frustante trabalhar por várias horas seguidas e perco a concentração. Nessas paradas vou assistir TV, me exercitar ou cantar no meu Karaokê, é uma ótimas maneiras de aliviar o stress, se ninguém estiver me escutando!
Quando não tenho nenhum trabalho para fazer tento desenvolver projetos pessoais, como praticar pintura por diversão fazendo pintura a óleo ou still life, rascunhos para caricaturas ou praticar velocidade em pinturas digitais.

O que você gosta de escutar enquanto desenha?
Geralmente escuto qualquer tipo de música ou programa de rádio enquanto estou pintando. Gosto de rock clássico e rock alternativo. Gosto também de escutar podcasts. Mas, enquanto estou rascunhando, desenhando ou fazendo algo que demande mais concentração, eu só gosto de new age instrumental ou orquestras que não tenham nenhuma cantoria.
Enquanto estou pintando gosto também de deixar a TV ligada pois as vezes me sinto muito sozinho no estúdio, assim me sinto conectado com o mundo.

Quais artistas você admira? Quais são suas influências?
Estou sempre observando novos e antigos artistas para me dar inspiração e direção. Sou um grande fã de Krueger, claro, como a maioria dos caricaturistas. Admiro sua super habilidade para desenhar e seu trabalho de construção anatômica. Eu simplesmente não consigo imaginar como ele pode ser tão habilidoso trabalhando com acrílico. Acredito que acrílico é o material mais difícil de se trabalhar, só para mestres! Eu só uso óleo, digital, guache e um pouco de aquarela nas minhas pinturas. Admiro também Jan Opdebeeck, Jason Seiler, Norman Rockwell, Dean Cornwell, J.C. Leyendecker, Peter deSeve and Jon Foster. John Singer Sargent, Anders Zorn, Joaquin Sorolla e Jeremy Lipking pelos seus portraits e fine art. Também gosto dos mestres Craig Mullins, Joseph Clement Coll, Heinrich Kley e David Levine.

Como você decidiu que queria trabalhar como ilustrador?
Eu sempre quis me tornar um artista, desde criança e quando me tornei adulto decidi que preferia trabalhar sozinho ao invés de alguma empresa. Assim sou mais feliz e isso começou a acontecer naturalmente. Quando estava trabalhando em um parque de diversão, fazendo caricaturas, as pessoas se aproximavam e me pediam para ilustrar posters ou peças de teatro. Quando comecei a estudar arte comecei a entender melhor o trabalho de outros artistas e perceber que era realmente isso que queria da minha vida.

Você conhece algo sobre a cultura brasileira?
Infelizmente não conheço muito sobre o Brasil. Já viajei para Europa, Japão e Korea mas nunca estive na América do Sul. O mundo é tão grande e espero viajar muito ainda na minha vida. Admiro muito o trabalho do Venezuelano J-Leal (veja entrevista que o PI fez com ele clicando aqui) e tive o prazer de me encontrar com o Colombiando Ismael Roldan ano passado na National Caricaturist Network Convention.
website: http://www.courtjones.com/














