Entrvista com Allan Sieber

Allan Sieber

Conte uma pequena história da sua vida estudantil e profissional.
Estudei até o Segundo Grau. Trabalho com animação e cartuns/quadrinhos profissionalmente desde 1992. Em 1992 começei a trabalhar no estúdio de animação do Otto Guerra, em Porto Alegre e fiquei lá até 1997.

Em 93 criei meu zine Glória, Glória, Aleluia! que depois virou uma revista. De 96 a 97 publiquei a tira Bifaland, A Cidade Maldita no Estadão. Em 99 fiz o curta Deus é Pai e resolvi mudar para o Rio e montar uma produtora de animação, a Toscographics. Desde 2000 publico a série Vida de Estagiário no Folhateen da Folha de S. Paulo e em fevereiro desse ano começei a publicar aos domingos a tira Preto no Branco na Ilustrada. Em 2004 a Conrad lançou o álbum Preto no Branco e essas semana ficou pronto o livro do Vida de Estagiário , pela Conrad.

Qual trabalho você tem mais orgulho de ter feito?
Gostei de como ficou o Preto no Branco, foi um álbum que vendí o projeto fechado para a Conrad e eles respeitaram tudo.

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Qual o processo até chegar na arte final.
Trabalho com uma mesa de luz. Rascunho o desenho numa folha depois passo a
limpo em outra . Scaneio e ponho cor no Photoshop.

Quais são suas influências nos quadrinhos?
Crumb, Angeli, Jaguar, Kamagurka e Schiavon.

O que você gosta de ouvir enquanto desenha?
Ouço o mesmo de jazz no repeat, geralmente. Não consigo trabalhar sem música. Ah, mas só ouço jazz feito até 65.

Allan Sieber

Na sua visâo qual o cenário do quadrinho nacional?
Com o aparecimento de bons albuns de quadrinhos nas livrarias recentemente até que há boas perspectivas. na banca ainda está dificil. Eu, junto com o Arnaldo Branco e o Leonardo, estou fazendo uma revista de quadrinhos de humor chamada F que está no segundo número. Mas é uma coisa complicada essse negócio de distribuição quando não se tem uma grande editora por trás.

Em que você se inspira antes de começar uma nova história?
Penso numa situação que renda uma boa história. Geralmente coisas que eu ouço ou vejo na rua, por exemplo.

Allan Sieber

O que te dá mais prazer num trabalho?
Gosto de fazer o que me vem a cabeça, odeio ser pautado.

Descreva um dia de trabalho comum.
Acordo geralmente umas 11 da manhã, dou uma olhada na agenda e começo a trabalhar no que tem pela frente. De vez em quando anoto algumas idéias para piadas e sigo em frente. No final do dia tomo uma cerveja e depois trabalho um pouco mais. As vezes prefiro trabalhar a noite, porque o maldito telefone não toca.

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Como surgiu a oportunidade de fazer a animação para o filme “O homem que copiava”?
Eu conheço o Jorge Furtado e o pessoal da casa de Cinema desde os tempos em que morava em Porto Alegre. Em 2000 fiz a abertura do primeiro longa dele, Houve Uma Vez Dois Verões. No começo do projeto do Homem, em 98, ele já havia me dito q gostaria de usar meu traço para os desenhos do personagem principal.

Fazer as animações para o filme foi supertranquilo, o Jorge sabia direitinho o que queria – coisa rara entre diretores de cinema – e é um cara que saca de quadrinhos e desenhos, então foi fácil trabalhar no filme.

A censura na MTV atrapalhou sua carreira em algum aspecto?
Atrapalhou no sentido que se rolasse a série eu tenho certeza que seria um puta sucesso e eu ganharia uma boa grana. Mas não rolou.

Pelo que percebi navegando em seu site você atua em várias áreas, como ilustração, posters, capas de CD, etc.., qual trabalho você não aceitaria fazer de forma alguma e qual você teria mais vontade de fazer?
Não faria de jeito nenhum campanha politica ou propaganda anti-tabagista. Uma coisa que eu gosto é fazer capas de discos para meus amigos. Isso eu acho ótimo e sempre me divirto fazendo.

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Quais artistas (pintores/ ilustradores/ designers) você admira?
Gosto do Bacon, do Hopper, do Keith Haring, mas confesso que não entendo muito de arte. Admiro profundamente o trabalho do Fabio Zimbres, um cara que extrapola os limites entre a arte e os quadrinhos , faz uma coisa muito dele e com um humor muito particular que eu acho maravilhoso. Um mestre.

Allan Sieber

Como você descreveria seu estilo e seus trabalhos?
Eu sou um desenhista de humor não muito esforçado que prefere se manter assim. Na verdade não tenho muita paciência para perder muito tempo desenhando, enxugo ao máximo a coisa.

Como você decidiu que era com história em quadrinhos que você gostaria de trabalhar?
Meu pai era desenhista e gostava de quadrinhos, então crescí lendo bastante quadrinho. Sempre quis fazer tiras, quando eu era moleque era meio obcecado pelas tiras diárias de jornais.

Como é seu processo de criação?
Eu imagino cenas inteiras, mas quando passo para o papel vejo que umas coisas funcionam mais e outras menos e vou fazendo pequenas alterações ao longo da execução do trabalho.

Quais são seus projetos futuros?
Estou terminando um curta novo chamado Santa de Casa, uma animação baseada em um conto do Aldir Blanc. Nesse e nos próximos meses vou viajar um pouco para lançar o álbum do Vida de Estagiário nas cidades fora do Rio.

Site: http://talktohimselfshow.zip.net